“Na tarde da Páscoa, o Senhor Jesus apareceu aos seus Apóstolos e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”
(Jo 20, 22-23)
O Sacramento da Reconciliação na Igreja Católica é um sacramento pelo qual o perdão dos pecados cometidos após o Batismo é concedido. "Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão" (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 11 : AAS 57 (1965) 15.).
Este sacramento é também conhecido como sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação. Quem peca, ofende a honra de Deus, a sua própria dignidade e o bem-estar espiritual da Igreja. Aos olhos da fé, não existe mal mais grave do que o pecado, que tem consequências negativas para os pecadores, para a Igreja e para o mundo.
Voltar à comunhão com Deus após o pecado é um movimento nascido da graça de Deus, que deve ser pedido tanto para si mesmo quanto para os outros. Este movimento de regresso a Deus, pela conversão e arrependimento, implica dor e aversão em relação aos pecados cometidos e o propósito firme de não pecar no futuro, alimentando-se da esperança na misericórdia divina.
O sacramento da Penitência é constituído por três atos realizados pelo penitente e pela absolvição do sacerdote. Os atos do penitente são: o arrependimento, a confissão dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a reparação. O arrependimento, também chamado contrição, deve ser inspirado por motivações que brotam da fé. Se motivado pelo amor de caridade para com Deus, é chamado de "perfeito"; se fundado em outros motivos, é chamado de "imperfeito".
Aquele que deseja obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves de que se lembre após examinar cuidadosamente a sua consciência. A confissão das faltas veniais, embora não seja necessária, é recomendada pela Igreja. O confessor propõe ao penitente o cumprimento de certos atos de "satisfação" ou "penitência" para reparar o mal causado pelo pecado e restabelecer os hábitos próprios de um discípulo de Cristo.
Somente os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver podem perdoar os pecados em nome de Cristo. Os efeitos espirituais do sacramento da Penitência incluem a reconciliação com Deus, a reconciliação com a Igreja, a remissão da pena eterna dos pecados mortais, a remissão parcial das penas temporais, a paz e a serenidade da consciência, a consolação espiritual e o aumento das forças espirituais para o combate cristão.
A confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja. Por meio das indulgências, os fiéis podem obter para si próprios e para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, consequência do pecado.
Fonte:
Catecismo da Igreja Católica (1422-1498)
